O NOSSO ANO NO JAPÃO ( e o futuro do nosso trabalho )

(tradução livre do artigo escrito e publicado pela fbf, aqui: Fortunate Blessings @ Japan)



Ao aproximarmos-nos do fim de 2011…
… restam poucas duvidas de que os trágicos eventos no Japão moldaram a maioria dos esforços por parte das organizações internacionais de ajuda humanitária - providenciado respostas de emergência a nível de alimentação, água e abrigo para aqueles em necessidade. Tal como havíamos feito no passado, demos seguimento às suas respostas quando foi o tempo adequado de dar protecção à saúde mental e conforto aos corações das crianças. A qualquer lugar onde nos dirigimos, encontrámos centenas de garças em origami - como os da fotografia - enfeitando escolas e centros comunitários. Constantemente fomos recordados do amor e apoio vindo de todos os cantos do mundo.

Dando seguimento ao sucesso das nossas intervenções em Maio em diversas comunidades no Japão, regressamos ao terreno a meio de Outubro passando duas semanas com organizações de voluntários que continuam a prestar o seu apoio em zonas próximas de Fukushima. Tal como durante a primeira missão, demos formação a profissionais de saúde, enfermeiras, orfanatos, centros comunitários, pais e professores - com os nossos protocolos que ajudam crianças a lidar com traumas resultantes das desastrosas consequências do tremor de terra e tsunami de 11 de Março. Estamos seguros que nos nossos esforços reduziram dramaticamente o impacto da DSPT (Distúrbio de Stress Pós-Traumático) em crianças por termos actuado antes que as suas feridas se transformassem em cicatrizes de longa vida.


O nosso objectivo com as campanhas de angariação de fundos em 2011 não era apenas o de cobrir as nossas despesas relacionadas com a resposta ao Japão, e sim também o de constituir uma reserva de fundos para poder dar rápida resposta a qualquer futuro incidente. Infelizmente, apenas conseguimos alcançar o valor mínimo para as despesas deste próximo inverno dando resposta às operativas despesas quotidianas. Quando um novo evento ocorra, seremos novamente forçados a colocar em atenção o nosso trabalho, chamando mais uma vez o apoio de patrocinadores e amigos para nos ajudarem em novos esforços - a menos que consigamos ir recheando a nossa conta de reserva. Toda a ajuda é bem-vinda.

Para que possamos levar a cabo o nosso trabalho, o seu apoio é essencial na ajuda a cobrir os custos das formações que oferecemos gratuitamente a todos os participantes. Com a chegada ao fim do ano de 2011, mais uma vez sublinhamos a possibilidade de serem parte da causa e servindo-se da nossa plataforma de donativos. Os donativos podem chegar até nós via Paypal (seguindo o link no botão vermelho na barra lateral esquerda), via cheque, dinheiro ou transferencia bancária.


Graças ao vosso suporte no passado, podemos relatar estrondosos sucessos: os nosso esforços beneficiaram mais de 35.000 crianças no Sri Lanka, após o tsunami em 2004; 40.000 crianças em Java, após o tremor de terra em Bantul; assim com mais de 4.000 crianças em Samoa em 2009.
O custo estimado por criança ronda menos de 4 cêntimos e menos de 5% do valor angariado serviu para pagar despesas administrativas. Em 2011 trabalhamos com cerca de 500 crianças, trabalhamos e demos formação mais de 200 enfermeiros, assistentes sociais, centros comunitários, voluntários, pais, … Os nossos materiais traduzidos para japonês circularam em larga escala, através de manuais impressos e ligações na internet. Para além disso, a nossa presença no Japão foi reconhecido e louvada por diversos canais de comunicação - incluindo entrevistas na TV e artigos de jornais sublinhando a importância e singularidade da nossa abordagem e sucesso.


Como resultado deste trabalho, fomos novamente convidados para regressar ao Japão no próximo ano - patrocinados por uma das Universidades da região de Sendai - que oferece aulas a quem continua de forma regular a dar resposta às necessidades decorrentes do desastre. Esta colaboração internacional e proposta de estudos irá coordenar os serviços de voluntariado junto de pessoas desalojadas, que vivem em situação precária e temporária, onde o nosso treino em saúde mental é de vital importância.
Estamos também a formular um inovador projecto para dar resposta e reverter os efeitos nocivos da exposição à radiação, através da nossa associação a inúmeros centros de saúde. São extraordinárias notícias para nós e sublinham o nosso compromisso com as crianças e famílias no Japão.

Poderá dedicar um momento a esta causa e ajudar-nos a suportar o nosso trabalho, de modo a que possamos estar totalmente preparados na resposta aos desafios do futuro? Espreite o nosso novo site com uma plataforma através da qual pode ver como os seus donativos são aplicados no Japão.
Neste período em que dedicamos agradecimentos à nossa família e amigos, esperamos que considere uma especial atenção à nossa causa - que seja merecedora do seu apoio.


Um agradecimento especial pela sua dedicação em transformar o mundo em melhor.
Votos de um saudável e feliz 2012.

William Spear
President and Founder


A Fundação Fortunate Blessings é uma organização sem fins lucrativos, não-religiosa, dedicada à educação inovadora para o bem-estar, promovendo a integridade e vitalidade através de práticas alimentares e estilo de vida, para o alcance de harmoniosos e ecologicamente viáveis espaços de vivência, ambientes de trabalho e espaços públicos, e, numa escala mais global, para proporcionar o alívio de trauma após catástrofes naturais.

'avançar' através da negação


(tradução livre do artigo escrito e publicado pela fbf, aqui: Fortunate Blessings @ Japan)

O terramoto e tsunami que afectaram o Japão há pouco mais de oito meses atrás é, para a maioria das pessoas aqui em Sendai, pouco mais do que uma fagulha nas suas memórias.
Apesar de, como consequência destes desastres, cerca de 25.000 pessoas estarem listadas como mortas, e as que residem na área de Fukushima continuarem sobre a constante ameaça da contaminação da radiação, a maioria das pessoas que conhecemos nestes dias estão mais interessadas em esquecer o passado e seguir adiante do que em examinar as suas emoções reprimidas, raiva impotente e profundo desespero perante o que está a acontecer por aqui.

Enquanto participante nas formações com Elisabeth Kubler Ross, em meados da década de 1980, estive a trabalhar com um homem que foi forçado a assistir à morte da sua esposa e dos seus pais num campo de concentração alemão. A sua opressiva raiva e mágoa levaram-no a procurar ajuda numa das sessões públicas que serviam de treino prático para o trabalho pelo qual Elisabeth e a sua fundação se tornaram uma conhecida referência.
Como parte dos treinos Elisabeth sentava-se atrás dos seus formandos, discretamente orientando-os quando necessário, sempre que cada um de nós desenhava um movimento na jornada de aprendizagem do processo de facilitação e libertação de emoções distorcidas.

Depois de haver trabalhado uma considerável parte da sua profundamente enraizada angústia, este septuagenário de cabelo grisalho pareceu ter chegado a um palco onde se acomodou num espesso e assustador silêncio.
"Há aí algo mais?" perguntei-lhe, pronto para o ajudar a trabalhar através de mais uma camada. Após alguns segundos de introspecção, abanou a cabeça indicando que havia terminado o seu trabalho, informação perante a qual a sua linguagem corporal se demonstrava em nítido desacordo. Assim que me inclinei ligeiramente para a frente, da minha almofada colocada junto ao tapete onde ele se encontrava sentado, senti a mão da Elisabeth segurando o meu ombro e sussurrou-me ao meu ouvido: "Não tens o direito de retirar niguém do seu processo de negação."

Nas décadas seguintes, trabalhando com vítimas de incesto, violação, rituais satânicos, tortura, genocídio e todas as possíveis formas de perda, traição, terror, raiva, angústia e desespero, não sou capaz de identificar um ensinamento tão valioso quanto este para o trabalho com sobreviventes de desastres. Sendo capaz de reconhecer cada momento em que ser uma testemunha sagrada perante o sofrimento é, de facto, mais poderoso do que o remover o véu que as pessoas colocam como medida de sobrevivência perante memórias inimagináveis, posso acrescentar ainda mais valor a todos os que encontramos aqui em Sendai.

No Japão, neste momento, é um coração espremido em negação que encontramos tão evidente nas pessoas que conhecemos nesta visita. Como medida de optimização, a mudança do nosso foco de trabalho de ajuda para com a população em sofrimento para um mote de construção de uma melhor 'capacidade de preparação' para futuras intervenções deu-nos a possibilidade de sermos conduzimos pelas necessidades deles, ajustando os nossos workshop para uma revisão do passado de uma forma mais compreensiva, em vez de uma abordagem mais específica.
Este ajustamento resultou na criação de um bem sucedido novo alinhamento para os módulos de três horas, no qual a primeira hora se apresenta como uma didáctica abordagem de como a DSPT se desenvolve e pode ser prevenida. A segunda hora, maioritariamente experiencial e isenta de diálogos, conduz os participantes através de sequências de exercícios e movimentos que criamos para os 'playshops' com as crianças.
A última hora repete e revê os exercícios com detalhes específicos, explicando como e porque foram desenvolvidos, e como cada um se enquadra no modelo preventivo anteriormente apresentado de forma teórica.

Embora os benefícios desta nossa visita possam não ser tão evidentes como os da primeira incursão, sabemos que foi bastante significativo o impacto junto de com quem trabalhamos. Ainda de relevante importância, os resultados desta nossa experiência trouxeram-nos novas afinações neste novo esqueleto de formação para a construção de uma melhor 'capacidade de preparação'.

Num próximo artigo, o Jonah partilhará connosco mais sobre o último workshop em Tokyo.


a foto eleita :)

o_img 10082010 53 (em Darmstadt, Alemanha )

Sortudo sorteio

Sigam a BD e descubram se vão receber um momento congelado pronto a emoldurar.

PARABÉNS a quem o vai pendurar, e PARABÉNS a todos os participantes que contribuíram para o dinamismo da causa.





Para quem não conhece o passaroco em acção, eis aqui mais referências:
origami lucky crane [Senbazuru]



Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore.

To_kyo * Kyo_to * To_kyo


Teclo em Kyoto. Recordo Tokyo.
Quem acompanhou as traduções dos artigos da fbf que fui publicando por aqui, estará a par dos ritmos com que nos fomos movendo.
Encontramos um Japão diferente do antecipado. Nas vésperas da nossa reunião em palco, com membros já em cena e alguns a caminho, foram emitidos assim à última hora radicais diferentes cenários dos até então prometidos.
O Japão que nos acolheu, enquanto equipe de mangas arregacadas para o trabalho, escondeu-se na vontade de esquecer o que lhe aconteceu, embalado pelo estímulo e pressões sociais para correr para uma rotina saudosa.

É gritante a energia do desânimo e acomodação, camuflada num estado de sonambulismo. Acena-se que a situação é grave mas escolhe-se um desvio que, em vez que acelerar um progresso, amarra um parte da força - sugando e aniquilando silenciosamente.
A adesão ao trabalho oferecido foi mais fraca em números do que desejaríamos, mas alentadamente acolhida e abraçada - fazendo-nos recordar que as dádivas são canais de oferta desapegada, valorizando qualquer um dos presentes no potencial que cada um é.

Sim, gostaríamos de ter trabalhado mais, ter interagido com mais.
Pessoalmente, mais uma vez encontro-me com deliciosas oportunidades de valorizar as dádivas na distinção do apego do resultado, do reconhecimento ou valorizações exteriores. Afastando-me mais uma vez das ideias de quantidade e abraçando com ainda mais vigor o louvor à qualidade - que creio que reside na genuinidade da entrega pura. Entregando-me.

Quem efectivamente nos acolheu, sorriu agradecido pela oportunidade de abraçar a simplicidade e eficácia das ferramentas partihadas.
Estivemos com pessoas que acederam às formações pela primeira vez; e com voluntários que já haviam estado presentes nas formações de Maio. Os segundos, trouxeram experiências do trabalho em campo - deliciando-nos com as histórias dos seus sucessos e enriquecendo debates de profundidade ao trabalho em curso.

Os agradecimentos foram solenes, engrandecidos pela gentileza japonesa.

Um dos novos participantes numa formação, que dirige um centro comuntário em Sendai, comentava que teme os próximos tempos nos quais, inevitavelmente, as pessoas começarão a ter que acordar e tomar decisões face a uma reconstrução mais cuidada de quem são e como querem viver.
As crianças mimetizam os pais e têm encontrado refúgio nos mundos virtuais dos jogos solitários, escapando a manifestação de emoções. Os pais, encurralados entre um trabalho necessário para a manutenção de um estilo de vida ou para a criação de novas oportunidades de vivência, absorvem-se nas rotinas que, sem alternativa, encerram um ciclo vicioso.
Na zona norte do país, multiplicam-se divórcios entre mães que querem proteger os seus filhos, saindo com eles para zonas mais seguras, e pais que se sentem obrigados a ficar para trabalhar. A grande maioria da população nestas condições, não tem alternativas. Muitos ainda pagam a casa que desapareceu..

Se recordarmos que tudo isto acontece num país que tem como tradição a contrição de emoções efusivas, em que tudo - para o bem e para o mal - é cuidado ao pormenor, percebemos o quão pernicioso pode ser este estado de nação.

Missão cumprida, na consciência de que fizemos o melhor que podíamos dentro das condições reunidas; de que deixamos sementes prontas a seguir o trabalho de germinação, e termos também sido brindados com a oportunidade de acompanhar as que frutificam.
Não há prognósticos para um regresso, embora todos percepcionemos o quanto importante seria continuar com o trabalho. Mas ele tem que verdadeiramente desejado e, enquanto o desejo global se mantiver no esquecer e camuflar, dificilmente se escolherá um caminho de aceitação e transformação - por mais eficaz que ele possa ser.



Da minha experiência pessoal, adiciono o desafio de me fazer integrar numa equipa já ritmada com missões em curriculum, da qual me despedi com a certeza dos laços universais que nos seguirão conectando.



* ARIGATO GOZAIMASU !!



PS - próximo artigo revelo a foto vencedora do sorteio:)




Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore.

O regresso da equipa da fbf à cidade costeira de Sendai - a norte de Fukushima

(tradução livre do artigo escrito e publicado pela fbf, aqui:Fortunate Blessings @Japan)


Regressámos a Sendai, a cidade cujo nome formou as gordas dos jornais internacionais quando o aeroporto foi encerrado pelas das torrentes do tsunami.

Igualmente movimentada, a área central da cidade retomou a sua vida normal embora os seus residentes apresentem um estado de adormecimento e desconexão, resultado do choque a 11 de Março.

Conduzimos um workshop num novo centro comunitário, um recurso bairrístico de elevada importância no funcionamento como um núcleo de acolhimento para voluntários que vêm para ajudar nesta fase de rescaldo. Muitos voluntários dormem neste centro.

Este workshop foi organizado pelo Sr. Morita, um dos directores de uma escola que havíamos visitado na nossa anterior visita a Sendai, em Maio.Há medida que o grupo se começou a organizar, decidimos reduzir o tempo da formação teórica e ampliar o tempo dedicado aos exercícios físicos.
Recolhemos um exçelente feedback através dos questionários, nos quais praticamente todos os participantes nos gratificaram com elevadas pontuações, face a uma tarde que recordarão enquanto trabalham com as numerosas famílias e crianças ainda em sofrimento.Enquanto possa ser fácil a decepção face à fraca participação, recebemos a confirmação de que aqueles que ensinámos irão usar e transmitir as ferramentas apreendidas, na relação com os seus grupos de relativos ou em trabalho directo com as crianças.

Ainda necessitamos de apoio financeiro para esta viagem. Aceda PF ao link para visitar o nosso novo portal - fbf global - e descubra como o seu donativo pode servir para cobrir as nossas despesas.A vida deste lado é cara, o preço de um café pode facilmente rondar os 10€!!


Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore.

Atravessando a prefeitura de Fukushima


(tradução livre do artigo escrito e publicado pela fbf, aqui: Fortunate Blessings @Japan)

Muitos dos nossos amigos e familiares estavam compreensivamente preocupados com a nossa exposição perante a radiação durante o nosso regresso ao Japão.

Obviamente, desde antes da nossa chegada, seguimos uma consciente dieta macrobiótica com predominância no consumo de sopa de miso, e uma atenta exclusão de açúcar e fruta. Como prevenção, adquirimos bons detectores de radiação que nos acompanham desde Maio, em cada etapa deste processo.


Relembrámos a sensação estranha sentida nas primeiras vez que atravessamos as zonas afectadas em Maio, tendo-nos dado conta da presença da radiação que atingiu o pico quando nos dirigíamos para norte de Tokyo, passando a oeste da central nuclear de Daiichi.

Nesta viagem, seguindo mais ou menos o mesmo percurso, a presença da exposição perante a radiação foi menos sentida; na verdade, a dose cumulativa de radiação a que desta vez nos expusemos até agora equivale a cerca de duas radiografias dentais (algo a que não tenho sido submetido nos últimos 5 anos, o que talvez ajude a equilibrar as coisas!).

O dosímetro praticamente atingiu o seu pico em 0.07mR/h, para quem acompanha estes valores. Há locais em Tokyo e áreas suburbanas que apresentam valores de 0.79mR/h que somam aos nossos valores de exposição acumulada.


Resumindo: estamos seguros, bem alimentados, sopas de miso diárias, bastantes algas, nori que-se-derrete-na-boca, e em presença atenta para com as cerca de 90.000 pessoas que foram obrigados a mudarem-se para casas temporárias - fruto da constante radiação que continua a ser libertada pela central nuclear.


O workshop em Sendai, no Hachihonmatsu Community Center será o nosso próximo destaque no blog.

Para acederem a imagens desta formação, acedam ao link Global Outreach no menu do lado esquerdo e depois em Images na linha de links no topo da página.

W.S.



Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore


fotos


Breve slideshow com as fotos relativas aos workshops, aqui: Images From October 2011 Workshops

Galeria com estas e mais algumas, aqui: with fbf @ Japan Oct 2011



Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore

Habilitando voluntários japoneses para cenários de desastre e catástrofe


(tradução livre do artigo escrito e publicado pela fbf, aqui: Fortunate Blessings @Japan)

Sete meses após os devastadores eventos de 11 de Março terem colocado o Japão numa crise-pesadelo, a degradação ambiental pode agora ser quantificada na paisagem que circunscreve as zonas mais afectadas.Se antes a palavra 'hotspot' fazia referência a um local onde poderíamos encontrar um forte sinal wi-fi, agora no Japão a palavra está directamente relacionada com sinais de alerta para focos de emissão de radioactividade - sejam sarjetas na rua, pátios escolares ou até praças municipais.

O governo continua apenas focado no controlo dos estragos em detrimento de apostar em reais soluções, à medida que o impacto deste desastre segue em exponencial crescimento - a um ritmo que nunca se imaginou possível.


O nosso regresso a esta resiliente nação insular, prometido após o sucesso da primeira missão em Maio, revela-se uma desafiante provação.

No início, os grupos com quem trabalhámos na nossa primeira visita anunciaram anciosamente o desejo de adquirir mais conhecimentos e ferramentas sobre como trabalhar com crianças traumatizadas pelo tremor de terra, tsunami e a subsequente constante ameaça da radiação.No mês anterior à nossa chegada, um dos grupos manifestou preocupação em não ter capacidade de acolher todos os voluntários alinhados para participar na nossa formação. Organizámos a equipa e apontamos esforços para a acção: confirmando hotéis com condições especiais, tradutores, voos, e demais ingredientes necessários - optimizando um eficiente uso do nosso tempo para o mais abrangente impacto possível.


A primeira acção de formação desta missão ocorreu no passado sábado, no espaço de encontro do Kizuna Project, onde já havíamos trabalhado anteriormente. Apesar de haverem comparecido menos voluntários do que havíamos previsto, os participantes receberam mais do que uma simples apresentação dos exercícios ou manual de suporte à compreensão do trauma - que previamente já havíamos difundido.


William Spear, que desenvolveu os exercícios após o tsunami de 2004 na Indonésia, deu início à sessão de 3h com uma exploração de como o trauma causa impacto nas crianças, e o que os voluntários podem fazer para ajudar a atenuar estes factores, com vista à prevenção da DSPT (Distúrbio de Stress Pós-Traumático).

Sadao Miyamoto, enquanto tradutor, mais uma vez acompanhou o grupo dando voz no idioma nativo e colocando a correspondência em kanji das palavras registadas no quadro - já que a maioria dos participantes falava muito pouco ou nada de inglês.Após um curto intervalo a equipa removeu cadeiras e mesas para criar espaço, e Jonah Spear conduziu o grupo ao longo de 10 exercícios, com pausas ocasionais para especificações mais detalhadas de como libertar tensão, desenvolver a flexibilidade, e exteriorizar emoções reprimidas, de uma forma segura, num ambiente de diversão isento de ameaças. A sessão terminou com os participantes e facilitadores sentados em círculo, partilhando as suas experiências.

Comentários e feedbacks confirmaram que a formação, assim como as restantes agendadas para os próximos 10 dias, vão ajudar não só a aliviar os voluntários no seu próprio desconforto e limitações face ao trauma, mas também fornecer uma mais significativa preparação para saberem lidar com futuros eventos, possam eles ocorrer.


Comprometidos com a missão de ensinar homens a pescar, em vez que simplesmente lhes comprar jantar, este grupo de voluntários irá seguramente utilizar o que aprenderam naquela tarde, tanto agora como no futuro.A próxima formação no Kizuna Project ocorrerá no dia 29, e está aberta a todos os que desejarem juntar-se ao grupo.Os resultados de inquéritos em uso nestas sessões, que avaliam o nosso trabalho, serão partilhados em artigos próximos.


Mais fotografias aparecerão também brevemente.



Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore

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^ Tokyo ^

^ Meiji Jingū Shrine ^

^ algures no 'distrito musical' ^

^ garrafinhas de saque ^

do vigésimo sétimo andar

Perdi a conta aos dias que passaram desde que aqui cheguei.
O ritmo do sol nascente-sol posto apanhei-o rápido, provavelmente por ter saído da cama no sábado de manhã, em Portugal, e ter regressado a um horizontal descanso só na noite de segunda para terça. As viagens foram feitas o máximo possivel de olhos fechados, mas dormir-dormir a sério é mesmo deitada :)

É fácil ouvir que o Japão é um pais de contrastes, do tradicional ao hiper-moderno, do rústico ao super-sofisticado. Ainda não tive oportunidade de sair de Tokyo para confirmar este universo de dualidades fora do ambiente citadino. Aqui encontram-se sublinhadas imensas dicotomias:
Há locais onde o ruído é praticamente insuportável, hiperpovoados de pimpim-nhechehiiii electrónicos misturados com movimento incessante do tráfego automóvel e ferroviário.
Oposto a este zunzum, há parques enormes que servem de oásis para a mente e pulmões. Nos transportes públicos somos convidados a desligar os telefones pois o toque ou a conversa pode perturbar o nosso vizinho. O tom de voz, se qualquer conversa se estabelece, é baixo e contido. (Este silêncio público deve ser uma inspiração para que seja mandatório encontrar em todas as carruagens uma série de japoneses a dormir: sentados, de pé, encostados, pendurados, ... )
Ao longo das ruas ( sim, ao "ar livre" ) encontram-se vários lembretes de que é proibido fumar. Dar uso ao cigarro só nos locais assinalados, equipados com um cinzeiro comunitário. Ah, e nos restaurantes, bares, cafés, ... Aí estão à vontadinha!!

Na generalidade é difícil dar um significado as expressões que aparentam uma total neutralidade e ensimesmamento*. Serenos, focados, calados. Quando é hora de expressar, dentro da sua zona de seguranca, o que vejo parece-me ser um movimento estilo "o salto da tampa". Passam da tranquilidade para a efusão num ápice, inspirando-me sorrisos de como se estive a ver crianças a brincarem.
Ir a uma "taberna" japonesa e querer manter uma conversa tranquila pode ser literalmente impossível. Os empregados berram de uma ponta para a outra, seja porque a comida está pronta, porque entrou alguém, porque uma mesa vai vagar, porque o telefone piscou, porque um prato se entornou, ... E os clientes riem, brindam, falam como se estivessem separados por 500mts de distância. Eu ainda sinto que fui ver um teatro de improviso, animado por certo.

As roupas, os edifícios, a comida, tudo é um palco de contraste.
Um mar de fatos-gravata cinza/azul escuro e, no meio, uma mini saia rosa-choc ou umas calcas amarelas florescentes. Uma carruagem de cabelos aprumados, lisinhos, e um adolescente de cabelo com madeixas verdes desgrenhadas. Vale tudo, sem alarido.
Arranha-céus - na rua ao lado casas de bambu, com trepadeiras varanda acima.
Mac Donald's, Starbucks ou sopa de misô e arroz integral.

*

Sente-se no ar a consciência de que as coisas não estão bem, misturada com um camuflar alienado e mergulhado nas obrigações do quotidiano. É visível a angústia, sobretudo nas jovens mães revoltadas com decisões governamentais que não as ajudam a proteger a família, escamoteando informação e minimizando estratégias de apoio.


Há dois dias conhecemos casualmente um biólogo que, entre diversos desabafos fundamentados em informação que tem sido obrigado a não revelar, contava que se recusa a comer em locais que não conheça directamente os donos e fornecedores; que deixou de comer qualquer peixe de origem nacional, e não passa mais de uma semana por mês no Japão. A maioria dos seus amigos estrangeiros já optaram por regressar aos seus países de origem, grande parte das pessoas que conhece que têm crianças optou por emigrar.
Representa uma classe com opções de escolha, pessoas que tem acesso a informação antes dos filtros públicos. O B. dizia que percebia que o governo não podia facultar a informação de que a água nao se encontra adequada para consumo - sob pena de criar um estado de caos impossível de domar. Assim sendo, finge- se que esta tudo normal - quem sabe e pode compra garrafões de água de marca internacional. Quem não sabe ou não pode...


Em Tokyo já arrancaram os workshops em escolas e centros de voluntários. Em breve seguimos para Sendai e zonas mais afectadas. Quando publicarmos as notícias oficiais, traduzirei e partilharei aqui.

Vejam este filminho. Retrata um pouco o que se sente por cá:




Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore.

Última chamada - a bolsa vai fechar :)

Esta adorável bolsinha de inspiração japónica vai receber os papelinhos referentes às fotografias candidatas ao Sorteio.

Depois de cumprir a sua missão, está disponível para ser conquistada por quem se deixar enamorar. Basta fazer uma aposta-licitação através dos comentários neste artigo, até ao dia 31 de Outubro - inclusivé.
O valor mais alto de licitação será contactado para combinarmos a entrega do viajado presente - made in Portugal, intercontinentalmente viajado ;)

Mais uma vez, o valor recebido através deste leilão referte directamente para a Fortunate Blessings, para aplicação exclusiva nas despesas associadas ao trabalho da equipe de voluntários nesta missão no Japão.

Aproveitem, a bolsa é muito bonita e pode até encaixar perfeitamente num solidário presente de Natal :)

Mais detalhes sobre a bolsa, produzida especialmente para apoiar esta causa:

  • Edição única

  • Tecido 100% algodão

  • ~13x20cm

  • Oferta de almofadinha recheada a alfazema, no mesmo tecido

  • Produção nacional, por cosido..comigo


É mesmo caso para perguntar: QUEM DÁ MAIS??
(minha mãe dizia... "Quem mais dá, mais recebe" :)

Beijinhos, abraços e arigatous
is




Este artigo foi publicado a partir de um equipamento carinhosamente cedido pela TBstore.

From HK with love

Este artigo ė uma experiência.
Já que o escrevo aproveito para contar que teclo em Hong-Kong, num moderníssimo aparato que aprendo a utilizar -  cedido carinhosamente pela TBstore como um apadrinhamento à causa.

Chegarei a Tokyo cerca de 20h depois do previsto e com umas quantas milhas a mais. Pelo caminho, entre filas intermináveis, desfrutei de mais um feliz transformar de perfeitos desconhecidos em companheiros de amigáveis cavaqueiras. Thank's PhD'dP'LT :)

Já no meio de caracteres curiosos, vou treinando o reconhecer de sinais de simpatia ou enfado - as expressões sāo contidas ou inesperadamente explosivas :)

O aviāo começa a mover-se. Turn devices off, please.
Xau xau..




pós-serão pré-Japão


Um agradecimento a todos os que contribuíram para o serão do dia 11, uns nos palco vários nos bastidores.
Deixo-vos um cheirinho do que tivemos o privilégio de desfrutar - em dádivas generosas com o propósito de nos estimular nesta cadeia de generosidade sempre recíproca.

Teatro de Sombras, por Beniko Tanaka & amigos
O Palco do Tempo, por noiserv

Outras referências e agradecimentos:
Francisco Varatojo e equipe do IMP
Embaixada do Japão
Finestra Sul Cielo
e, invisíveis no ciber-espaço, todos os que ajudaram a cozinhando, transportando, suportando, divulgando, limpando, aparecendo, contribuindo, …


♡ ARIGATOU ♡

O 'como contribuir para a causa' ...

... ganha maior visibilidade através do novo site no qual pode identificar-se com o destino da sua contribuição! Aceda a: www.fbfglobal.com


Obrigada por contribuir para o regresso da equipe ao Japão, em Outubro de 2011. Aceda à opção 'Ways to Help' para apoiar directamente as crianças que vivem sob a constante tensão da radioactividade e eventos traumáticos despoletados com o terramoto e tsunami de 11 de Março. A sua ajuda é valiosa!


PRESENTES PARA O JAPÃO

Os impactantes eventos ocorridos no Japão em Março deste ano, foram já ofuscados por outros eventos mundanos, de maior ou menor impacto, que se vão sobrepondo e anulando uns aos outros e alimentam um estado de alienação em que somos forçados a viver. Estamos todos ocupados, e esquecemos-nos rapidamente do que cai fora do nosso radar.
Isto foi o que aconteceu com as más notícias do Japão, esquecidas pela comunicação social mas de vital importância para as milhares de pessoas que ainda hoje sofrem os impactos do tsunami, terramotos e subsequentes desastres nucleares.

Em Abril a Fortunate Blessings, especialista em catalizar a superação do trauma de forma consequente, esteve no terreno orientando diversos workshops e formações com centenas de voluntários, milhares de crianças e famílias em locais onde qualquer apoio ainda não havia sido prestado. O impacto deste trabalho foi largamente apreciado, com benefícios reconhecidos por todos os participantes.
Ao longo destes meses, mantendo contacto próximo com quem vive as dificuldades no seu dia-a-dia, sabemos que são contínuos os desafios de saúde mental a que estão sujeitas tantas famílias no Japão, que vivem com o extremo stress da radiação no meio ambiente, e a possibilidade muito real de que outros desastres naturais possam surgir noutras partes do mundo nos próximos meses.

Face a este cenário, a Fortunate Blessings desafia-se a agir com urgência para enfrentar as circunstâncias presentes e estar preparada para o que se pode seguir.
A agenda está organizada, e cerca de 1.000 profissionais e leigos voluntários aguardam ansiosamente o retorno da equipa da Fortunate Blessings para aprofundarem os seus conhecimentos sobre as abordagens centradas no corpo, que visam o alívio do sofrimento e a prevenção de doenças mentais como a DSPT (Distúrbio de Stress Pós-Traumático). A equipa prepara-se para o trabalho no terreno, com datas marcadas para a segunda quinzena de Outubro.

Neste momento, o maior desafio é conseguir contagiar todos os que acreditam na possibilidade de um mundo melhor a conhecerem e encontrarem sentido neste trabalho, para assim comprometerem-se com o seu Presente.

Cada um na sua medida, todos podemos encontrar o nosso modo de ajudar a fazer a diferença - e contribuir com um investimento com o qual todos resultamos beneficiados.

SOBRE ESTA MISSÃO NO JAPÃO

Regressar ao Japão em 14 de outubro de 2011
Depois de recebermos convites de mais de meia dúzia de grupos com os quais trabalhámos em Maio, criámos um programa específico e expandido para apresentar durante a nossa próxima visita:

Workshops em Quatro módulos:
A-1 A Natureza do Trauma no Corpo e Mente
A-2 Entender as Necessidades Emocionais das Crianças

B-1 Protocolos Específicos de Actividades para Crianças
B-2 Abordagens Centradas no Corpo, para Todas as Idades

Os workshops A-1 e A-2 são principalmente didácticos e contém apenas alguns elementos experiênciais. Os workshops B-1 e B-2 são principalmente vivênciais e participativos, com conteúdos muito menos didácticos.
Cada workshop tem a duração de 3-4 horas (incluindo um intervalo), e podem ser orientados num mesmo dia que outro workshop.
Para beneficiar de todo o o programa, um grupo precisará de dois dias. Poderão ser feitos alguns ajustes para dar resposta a interesses particulares de um grupo.

O orçamento de um dia inteiro do programa requer $3.000 ou $1.500 para cada workshop. Estão previstos de cerca de 200 participantes em cada workshop. Todas as sessões, bem como materiais impressos, serão apresentadas em Inglês e traduzidas para japonês.

FORTUNATE BLESSINGS NO JAPÃO EM ABRIL 2011

Clique na foto para ler os relatos das acções de formação promovidas pela
Fortunate Blessings no Japão, em Abril de 2011:

[foto da Fortunate Blessings]